segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Cena's Adolescendo...


Adolescer é uma coisa tão complicada que a própria palavra vem de doer, de adoecer. 
Exagero dos romanos, que criaram no seu latim a palavra adolescentia com essa ambiguidade? Nem tanto.
Toda a literatura sobre o tema (que só nos últimos 50 anos deve pesar toneladas) converge em certas questões, destacadas pela psicologia, pela sociologia e por todas as ciências que estudam o comportamento humano.
Questões sobre a transição, a aventura de cada descoberta, o desabrochar da sexualidade, as mudanças corporais e o imenso salto intelectual com o acúmulo de informações sobre o mundo que marcam essa etapa.
Mas, questões também sobre as responsabilidades crescentes e luta pela autonomia, os conflitos domésticos e entre gerações, os conflitos com o outro e consigo mesmo.
E isso não é tudo: a inserção nas regras do jogo do mundo adulto (e a inevitável contestação a essas regras) vem acompanhada pela perda das facilidades da infância e a perplexidade diante da vida que se entreabre, com suas promessas de delícias e ameaças.
Daí a chamada crise da adolescência, cheia de inseguranças e de espinhas na cara.
Por tudo isso, os adolescentes costumam se sentir incompreendidos pelos mais velhos (na maior parte das vezes, diga-se de passagem, com toda razão) e adotam comportamentos e códigos próprios, desviantes dos padrões esperados, mas completamente legítimos no interior da ‘turma’, onde cada passo é compartilhado e a confiança é incondicional.
O adolescente é um bicho ético, que detesta a hipocrisia: está procurando, em cada experiência nova, um fundamento da arte de viver.
Para isso, a verdade é essencial.
Cada experiência é decisiva porque ele sabe que em cada escolha está se construindo como pessoa.
Tudo tem que ser falado, dissecado, trocado em miúdos.
Afinal, a vida é uma festa, 
mas uma festa cheia de mistérios.

Texto na íntegra...

Acesse o link, e se delicie com o texto que criei com muito carinho para meu querido GRUPO CENA'S e leitores fiéis...

http://www.recantodasletras.com.br/roteirosdeteatro/4444702


NOTA: Os temas de minhas peças, adultas e infantis procuram uma reflexão sobre diversos aspectos da sociedade contemporânea (ética social e pessoal, direitos e deveres do cidadão, questões ambientais, convivência ecológica e familiar, criação artística, educação linguística, comunicação de massa, etc) sem se prender ao individualismo humano, mas não esquecendo o caráter lúdico, tão importante para todos os seres humanos.

As peças que compõe esse “Confissões de Adolescentes” foram concebidas, prioritariamente, para o público infanto-juvenil. De modo, que as montagens possam ser realizadas sem muitos recursos de cenários e de figurinos, podendo ser encenadas em pátios de colégios, ruas e praças, como nos teatros de rua.
Dallva Rodrigues

Concepção Cênica e Sinopse do Espetáculo... Por DALLVA RODRIGUES


As esquetes contidas em ‘Confissões de Adolescentes’, identificadas por atos 1, 2 e 3 foram criadas a partir da transcrição da cena III (Eu te obedecerei), ato I, de Hamlet, obra de Willian Shakespeare, durante o módulo II (Montagem Teatral) do curso Iniciação na Arte de Representar, ministrado pela arte-educadora Dallva Rodrigues. A mesma, na época (2009) revisou cada um dos textos, e hoje assina e adapta os três, montando um espetáculo que conta a história de três adolescentes, cheias de sonhos, dúvidas, mágoas, medos, traumas, e desejo de serem felizes.
William Shakespeare escreveu Hamlet há quatrocentos anos. Essa obra, rica e ampla de significados, resiste ao tempo, possibilitando a cada geração novas incursões, descobertas e uma diversidade de interpretações e concepções.
Os temas apontados são: AMOR FRATERNO; SOCIEDADE MACHISTA; OBEDIÊNCIA FILIAL; PAI, FILHA E NAMORADO; EXPERIÊNCIA DE VIDA; SUPERPROTEÇÃO MASCULINA.


A esquete “Eu te obedecerei!” (Ato I) apresenta um conflito armado por Lorena, uma adolescente que quer mostrar ao seu pai que já tem idade o suficiente para saber o que é certo e errado para ela e que já não precisa de tantos cuidados. Polônio, ciente da fase que Lorena está passando recorre a Lucas, seu filho, para ajudar ele a conscientizar Lorena de que ela ainda não é adulta e precisa de regras. Ela ainda sofre pela perda da mãe, o que a deixa mais revoltada e de difícil superação.
“Eu te obedecerei!” procura mostrar as crises familiares existentes na sociedade hoje em dia. Apresenta ainda a difícil fase da adolescência que precisa de paciência e diálogo para superar problemas que surgem em diferentes famílias. A esquete fala do abandono da mãe a casa, aos filhos e marido. Isso é muito comum e infelizmente afeta as famílias deixando-as um pouco desequilibradas.

A esquete “Ainda sou sua Garotinha” (Ato II) conta a história de Sofia, uma menina mimada e carente ao mesmo tempo, devido ao abandono de sua mãe quando ela ainda era pequena. Seu pai e seu irmão tentam contornar a situação, mas a sua revolta parece só aumentar. O pai se sente perdido e, muitas vezes erra na forma de educar. Sofia gosta do pai, mas reconhece que ele não sabe como educá-la. Um dia ele a trata como adulta, noutro a trata como sua eterna garotinha. E Sofia ao final do esquete deixa uma pergunta. Mas, será que os pais nunca crescem mesmo?

A esquete “Amor Proibido” (Ato III) relata os dias de hoje, quando muitos pais, tentando proteger seus filhos, acabam interferindo em seus relacionamentos, e em sua vida amorosa. Também exemplifica pais que não impõe limites, evitam carinhos como beijos e abraços e acabam gerando filhos com baixa-estima, estresse, dificuldade de relacionamento e até mesmo a depressão. Consciente ou inconscientemente, muitos pais fazem de seus filhos verdadeiros reféns da superproteção. De uma forma ou de outra, crianças e adolescentes chegam à vida adulta inseguros, dependentes e com a autoestima fraturada.


Criamos versões atuais para a cena de Shakespeare, coerentes com o modo de vida, tecnologia e problemas atuais.
A partir dos temas propostos, você, caro leitor, consegue responder o que se deve fazer: Ouvir a família ou pagar para ver? O que você faria em alguma das situações apresentadas a seguir?
Boa leitura!
Xero GRANDE!

Dallva Rodrigues